quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Finalmente Primavera!!!

Conversando com alguém especial outra noite a respeito da Primavera, emoções me levaram a um fato importante na minha vida e por isso posso concluir definitivamente que "Eu Amo Orquídeas!" em especial a Laelia purpurata, cujo nome foi trocado recentemente... Antes porém, devo admitir que meu verdadeiro fascínio é a tão simples "Margarida", aquela mesma branca com várias pétalas e nécleo amarelo. Soube que ela é uma flor que representa a inocência das crianças e que ela que dá nos campos e matos sem ser semeada pela mão do ser humano e por isso também é chamada de "flor do campo". Sua beleza e simplicidade me encantam. Realmente leva-me de volta a minha infância, quando outra flor semelhante a ela surgia em volta de minha casa, anunciando a chegada da Primavera. O aroma espalhava-se a distância e me fascinava! Colhi-as para embelezar meu espaço onde brincava com as bonecas!


Já a orquídea é famosa por sua exuberância e nobreza! É a mais fina e elegante das flores! Em vez de campos, ela surge no litoral. E minha história inicia-se há poucos anos atrás, quando eu completava 10 anos de trabalho na área jornalística. Eu já não era mais a menina inocente que cresceu apreciando Margaridas e outras flores do campo. Já era uma profissional dedicada e ocupada com a vida e os obstáculos que ela nos impõem...

Na internet, meu "nickname" era Laelia_purpurata... Por quê? não por pretensão, mas por encanto, tirei de um trecho do livro que o professor universitário Vilson Farias escrevera sobre minha cidade "Sombrio". Em suas palavras, o escritor definia a Laelia purpurata como rainha das orquídeas, a mais bela do sul meridional, sendo o símbolo do meu estado Santa Catarina e da minha cidade. Uau... quem me dera ser tão importante!


Nesta época, quando apresentava um novo trabalho a meus leitores, procurei então conhecer mais sobre as orquídeas. Fui buscar dois orquidófilos em Sombrio para uma matéria. Um deles tratava de germinação e outro de cultivo. O segundo me presenteou com uma Laelia purpurata venosa. Era meu melhor presente ao completar os 10 anos de trabalho. Nem mesmo a festa em fevereiro de 2001 foi tão fascinante, embora linda e emocionante. Ele me disse que eu a deveria cuidar como se cuida de um filho. Eu não era mãe na época, mas entendi o que ele queria dizer e cuidei dela como tal, orientada por ele... Minha purpurata tinha duas flores, lindas e com um aroma que encantava a todos que iam ao meu escritório.

Em 2001, na sua época de floração, nas três primeiras semanas de dezembro, novamente ela ostentou brilho e nobreza com mais duas flores. Fiz fotos! Ela era divina!

Mas em 2002 eu me preparei para deixar minha terra e vir para os EUA. Minha flor adoeceu. Percebi que tinha sentimentos e que sofria ao saber que eu a abandonaria e ao mesmo tempo, parecia saber que eu também sofria por deixar ali tudo e todos que eu amava... Eu quis levá-la de volta ao orquidófilo para buscar a cura, mas a pressão com a viagem e com os tantos documentos que precisava preparar, me impossibilitaram de fazer isso. Viajei com a certeza de que ela morrera... e em dezembro procurei não lembrá-la...

Dezembro de 2003, eu estava no meu primeiro mês de gravidez... Na minha família, somente minha irmã Nely sabia disso. Liguei pra falar com ela, mas foi minha irmã Schirley quem atendeu. Entusiasmada ela me contou: "Tua orquídea deu duas flores!"... Pânico... "Minha orquídea não tinha morrido!?"... e ela então me contou que cuidara dela depois que parti. Cuidado e amor são necessários para a sobrevivência, em qualquer tipo de relacionamento e até mesmo as flores precisam disso... Desliguei o telefone e comentei com outras duas amigas brasileiras no trabalho e então uma delas disse algo como "flor tem sentimentos e ela floresceu porque sabe que você também floresceu". Conclui então: "Só espero que eu também não tenha duas flores!"

Pode parecer realmente estranho, mas minhas flores chegaram entre a primavera dos EUA e a do Brasil... Emily e Alice, minhas gêmeas! Minha orquídea Laelia purpurata morreu então, assim que as gêmeas chegaram!

Se o "nickname" era encanto ou pretensão, não posso determinar com certeza, mas posso dizer que procuro sempre manter a classe como a elegância das orquídeas e com o toque de simplicidade das margaridas. Afinal, as melhores coisas da vida, são as mais simples. Não concorda?

Nota: Laelia purpurata ganhou nova denominação, chama-se hoje Hadrolaelia purpurata.
Ela foi descoberta por François Devos em 1847, tendo-a encontrado em abundante quantidade no litoral da então Província de Santa Catarina, e exportada para a Bélgica e Inglaterra.
Nas décadas de 1920 a 1940 a Laelia foi exportada, através de Florianópolis, sendo Santa Catarina considerada o maior exportador de Orquídeas do Brasil, associando-se o nome desta flor, em termos nacionais, ao nosso Estado.
Dentre todas as flores, a Orquídea é considerada flor nobre e os orquidófilos dão a Laélia Purpurata uma posição de destaque.
(do site Governo de Santa Catarina)

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Minha mãe partiu... infelizmente!

Sabe, outro dia eu lamentava chateada como era inaceitável que a parte mais linda do corpo dela, que ela havia dado para gerar 14 vidas, estava agora tirando a sua própria....Agora que ela partiu, lembranças me levam a um tempo distante em que minha mãe mesmo me dizia: "Sempre pedi a Deus que antes de levar um filho meu, me leve primeiro!"...

Agora eu entendi... Deus foi justo com ela. Não deve ser fácil para uma mãe perder um filho e Deus poupou-a desse sofrimento...Por isso, nada mais justo também, do que hoje agradecer a Ele por tudo isso. Por entender o coração de mãe e lhe poupar das mais terríveis lágrimas.

Sabe mãe, eu não pude estar ao seu lado os últimos anos, porque sendo mãe também, a nobre missão me impediu de voltar pra casa. Mas felizmente eu pude lhe dizer o que sentia e pensava a seu respeito. Pude num tom alto e forte lhe confessar o quanto admirava sua garra, sua força e a sua coragem. "Tenho orgulho de você!", eu disse-lhe! Muitos reclamam de criar um filho, dois ou três... e você? Como pôde encontrar tanta força e coragem pra criar e educar 14, sem nunca desistir da luta.!?

A fé em Deus sempre foi seu alicerce... Uma verdadeira mãe jamais se detém perante os desafios da vida... segura na mão de Deus e segue confiante! E assim foi ela... dia e noite! Dormia cansada com o rosário preso às mãos, orando e pedindo proteção aos filhos, netos e bisnetos.

Tinha mágoas e ressentimentos, mas com certeza conseguiu superá-los. Lembro de nunca ter ouvido de sua boca a palavra "ódio". Aprendi com ela que isso só machuca e fere a quem o sente, não a outra pessoa. Gostaria que todos hoje pudessem pensar mais nisso e abolir esta palavra do seu vocabulário. Espalhar amor é o mais digno e faz bem a nossa vida.

Mas é importante que se aprenda o verdadeiro sentido do amor. Antes dele vem algo ainda mais nobre, que se chama respeito. Se não é capaz de respeitar o outro, não é possível amá-lo. Amor é sinônimo de respeito. Você não pode amar alguém que você não respeita. Mãe, como sempre lhe falei... eu amo você, porque lhe respeito infinitamente!

Você partiu... mas a sua conduta e a lição de vida que nos ensinasse, ficará pra sempre no coração e na mente daqueles que entendem o verdadeiro significado do amor. Não é mais possível encontrar seu abraço para aquele aconchego, mas será possível encontrar sua força e sua coragem, quando for preciso encarar uma dificuldade. Não será mais possível ver seu sorriso, mas será possível encontrar sua magnitude e seu brilho, nas lembranças mais lindas.

Claudete Matos (02 de junho de 2007 - por 31 de maio de 2007)